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Can-Am Spyder RTS mostra dupla personalidade em teste

Revolucionário, inovador, arrojado, exclusivo e polêmico. Assim é o Can-Am Spyder, veículo construído pela canadense BRP, divisão da Bombardier. Com uma arquitetura nada convencional em forma de “Y” — duas rodas na dianteira e uma na traseira — o triciclo pode ser definido como um mix entre um roadster e uma motocicleta. Para completar, o Spyder traz o que há de mais moderno em termos de tecnologia embarcada: controles de tração e estabilidade, câmbio automático sequencial, piloto automático, além dos freios ABS.

Para 2010, a Can-Am lançou a nova versão RTS, voltada para aqueles que querem viajar por muitos quilômetros. Top de linha, o Spyder RTS custa R$ 89.900 e conta com muito conforto e grande capacidade de carga. Há quatro compartimentos: maleiros laterais, top case — que também serve de encosto para o garupa –, além de um bom espaço sob o capô na dianteira. No total, o Spyder RTS pode transportar 155 litros de carga.

De estilo clássico e ao mesmo tempo chamativo, iniciamos a seção de fotos do Spyder RTS escoltados pela Guarda Civil Municipal de Santana de Parnaíba (SP). Não, não fomos “enquadrados”: os policiais ficaram bastante curiosos com o veículo, que foge radicalmente dos padrões estéticos da indústria da mobilidade. Além de nos oferecer proteção, os guardas queriam saber todos os detalhes de triciclo.

EXPERIÊNCIA ÚNICA
Para empurrar este “monstro” de 421 kg (a seco) e 2,7 metros de comprimento, nada melhor que um motor derivado de uma superesportiva. O V2 de 998 cm³ de capacidade cúbica e 100 cv de potência máxima é o mesmo construído pela Rotax para as motos Aprilia de alto desempenho.
Na prática, pilotar o Spyder RTS é uma experiência totalmente diferente e única. Em linha reta a sensação é muito parecida com a de dirigir um conversível. É só trocar o volante pelo guidão e sentir o vento na cabeça. Já contornando curvas lembra muito o comportamento dos quadriciclos. Em função da força centrífuga é preciso se segurar firme para não ser empurrado para fora das curvas. E pela arquitetura da suspensão dianteira — independente com barra de torção –, o canadense Spyder não tem a mesma inclinação de uma moto. Apesar dessas características diferenciadas, para se pilotar o Spyder é preciso ter habilitação para motocicletas (categoria “A”) e ainda usar capacete.

Ao contornar uma curva fechada a 80km/h, em terceira marcha, com asfalto molhado e a aceleração aumentando gradativamente, o controle de tração entra em ação. Tudo para segurar os 10,6 kgfm a 5.500 rpm de torque máximo do motor de dois cilindros em V. Na mesma situação com uma moto, a roda traseira derraparia e, consequentemente, levaria seu piloto ao chão. Já o Spyder RTS fez a curva com segurança em função de seus sistemas eletrônicos.

A tecnologia embarcada impede que o veículo derrape (controle de tração) ou capote (controle de estabilidade). Em curvas mais acentuadas o controle de tração corta a alimentação do motor e freia a roda do lado interno da curva. Em resumo, o triciclo é a prova de “barbeiros”. Assim, até mesmo os mais inexperientes podem pilotar com mais tranquilidade, de forma relaxada e aproveitando cada minuto sobre o triciclo.

Para facilitar a vida, o modelo testado ainda conta com câmbio automático sequencial de cinco marchas. Quando é preciso frear e passar em uma lombada, por exemplo, o câmbio reduz automaticamente. As trocas no modo manual são feitas por “borboletas” no manete do punho esquerdo, semelhantes às utilizados nos carros da Formula 1. Como se essa mordomia não bastasse, há ainda o piloto automático (cruise control) para manter a velocidade desejada e não se preocupar com os radares. Todos os ajustes são feitos por comandos nos punhos e exibidos em um display digital, junto ao painel de instrumentos.

No congestionamento dos grandes cidades o Spyder sofre, já que não é seu habitat natural. O piloto fica preso no trânsito como um automóvel e toma chuva como se estivesse em uma moto. Nessa hora, parado junto aos carros, o que ajuda passar é o sistema de som. Formado por dois alto-falantes na dianteira e dois na traseira, o sistema de áudio tem potência suficiente para encobrir o barulho do vento e dos carros. É possível ainda ouvir músicas salvas em um pendrive, ou conectar iPod e iPhone.

FICHA TÉCNICA: Can-Am Spyder RTS 2010

Motor: Dois cilindros em V, 998 cm³, 8 válvulas, DOHC, arrefecimento líquido.
Potência: 100 cv a 7.500 rpm.
Torque: 10,6 kgfm a 5.500 rpm.
Alimentação: Injeção eletrônica de combustível.
Câmbio: Cinco marchas, automático sequencial com ré. Transmissão final por correia.
Suspensão: Dianteira em duplo A com barra anti-torção (151 mm de curso e cinco regulagens); traseira por Balança com monochoque (145 mm de curso e regulagem eletrônica).
Freios: Dianteiros por disco flutuante de 250 mm e pinça de quatro pistões; traseiro com disco de 250 mm com pinça de pistão simples.
Pneus: 165/65-R14 [47H] MC (dianteiro); 225/50-R15 [76H] MC (traseiro).
Chassis: SST Spyder.
Dimensões: 2.667 mm x 1.572 mm x 1.510 mm (C X L X A); 1.708 mm (entre-eixos); 772 mm (altura do assento); 115 mm (altura minima).
Peso: 421 kg (a seco).

DUPLA PERSONALIDADE
Já na Rodovia Castelo Branco o triciclo estava em casa. Com o som ligado e o para-brisa ajustado por meio de acionamento elétrico, estava protegido da chuva, da fuligem e até de pequenos detritos e insetos. Rodar com o Spyder a 120 km/h é uma tarefa bastante fácil. O motor trabalha em rotações mais baixas e o acelerador está apenas no começo do curso. Com o piloto automático ligado é possível ainda curtir a paisagem. Porém no primeiro pedágio da rodovia o Spyder RTS voltou a “ser carro” e pagou pedágio (R$ 2,80). Com o triciclo parado, só restou cumprir todo o ritual de tirar as luvas, pegar o dinheiro e pagar a taxa.

Neste momento o marcador de combustível entrou na reserva. Foi a oportunidade para estacionar no posto e testar alguns comandos. O freio de estacionamento é totalmente elétrico e a marcha ré também foi muito útil para auxiliar nas pequenas manobras. Para abrir o porta-malas frontal basta apertar um botão. Para ter acesso aos outros comportamentos de carga basta acionar botões sob o top case.

No teste de todos os comandos, era a hora de endurecer a suspensão — que é independente nas três rodas. Depois do ajuste, o comportamento do Spyder ficou bem mais arisco e divertido, com resposta mais rápidas ao comando. Já o potente sistema de freios a disco nas três rodas é comandado apenas pelo pedal, não há manete de acionamento no punho direito. Sem o manete parece estranho dosar a frenagem apenas com o pé. Nessa hora entra em ação o sistema antitravamento (ABS) e tudo fica mais simples, fácil e seguro. O triciclo conta com discos simples de 250 mm de diâmetro nas três rodas. Na dianteira usa pinça de quatro pistões e na traseira, acionamento com pistão simples. Para ajudar nas frenagens e no árduo trabalho de absorção de impactos, o Spyder está calçado com pneus chineses Kenda, mas medidas 165/65 R14 (D) e 225/50 R 15 (T). Detalhe, este modelo de pneus só é recomendado para veículos especiais, como o Spyder RTS.

Depois de rodar dezenas de quilômetros com o Spyder — por ruas, avenidas e estradas — fica a sensação de que não utilizamos todo seu potencial. Com certeza, ao comando do Spyder RTS poderia encarar mais algumas centenas de quilômetros na rodovia.

Com preço de motos top de linha, o Spyder RTS é um veículo único e diferenciado. Pode agradar em cheio quem quer aproveitar o vento no rosto de uma motocicleta, mas com as mordomias e segurança de um conversível

Por Portal UOL

Editado Por Fabio Weslley

Acelera Mente

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